9 de mar de 2009

"Permita-nos que, através da intercessão de Santo Isidoro, bispo e doutor, durante nossas jornadas pela internet dirijamos nossas mãos e olhos apenas ao que é agradável a Vós."


Esse é um trecho da chamada "oração dos internautas". Santo Isidoro, que nasceu no ano 560, em Sevilha, na Espanha, foi eleito pelos próprios internautas o padroeiro da rede de computadores. Ainda não consta que ele já tenha realizado algum milagre no mundo virtual, mas as mudanças que a tecnologia tem promovido no cotidiano de diversas religiões são de saltar aos olhos.



A recente estréia do papa Bento XVI no YouTube ou mesmo o lançamento do iBreviary sistema criado em fevereiro pelo Vaticano que permite colocar nos iPhones gratuitamente via iTunes o breviário - livro das leituras e orações usado pelos sacerdotes - são apenas alguns exemplos de como essa absorção tecnológica tem transformado o dia a dia das religiões, uma tendência que tem ganhado força no Brasil e que abrange crenças de todas as vertentes.

Sites católicos, por exemplo, permitem aos fiéis acender velas virtuais, enquanto a Igreja Assembleia de Deus oferece sessões de chat com pastores. O site da Basílica de Nossa Senhora Aparecida já permite que as pessoas rezem usando um terço virtual e baixem imagens sacras para o celular. No site da Congregação Israelita Paulista (CIP) já é possível obter conselhos eletronicamente por meio do canal "Pergunte ao rabino". A internet também virou ferramenta de estudo para a cerimônia do bar-Mitsvá, que marca a passagem dos garotos de 13 anos para a vida adulta. Todo o conteúdo da cerimônia, as músicas e a liturgia que o jovem precisa aprender estão disponíveis em formato digital.

Para o Centro Islâmico no Brasil, a web tornou-se um recurso de disseminação das ideias de Maomé. O site recebe entre mil e 1,5 mil visitantes por dia e boa parte dessa audiência não é de praticantes da religião. Quem navega pela página da instituição aprende os princípios do Islamismo, acompanha os horários das orações diárias e pode ler o Alcorão em português. Os internautas também podem enviar perguntas sobre a religião e, uma vez por semana, têm as suas dúvidas respondidas eletronicamente.



Não se trata de um fenômeno exclusivamente brasileiro. Nos EUA, o portal GodTube - agora rebatizado de Tangle recebe 2 milhões de visitantes únicos e tem 16 milhões de páginas vistas por mês. O site, criado por um produtor de TV e um pastor da Igreja Batista de Dallas, é uma versão cristã de redes sociais como Facebook e MySpace e de sites de compartilhamento de vídeos como o YouTube.
Além de pequenos filmes que pregam a crença religiosa de forma convencional, existe uma série de vídeos que utilizam humor como forma de passar a mensagem, contrariando a fama de séria e formal que tem a comunidade cristã dos Estados Unidos. Um usuário que se chama de Pastor Al publicou um vídeo onde chama o coelho da Páscoa para uma luta onde quem vencer vai poder clamar o feriado (clique aqui para ver). A mensagem do pastor é uma crítica ao consumismo da data e pretende desta forma chamar a atenção de milhares de jovens.

Em um dos vídeos mais assistidos do site, Ray Comfort, um evangélico californiano, utiliza uma banana para demonstrar a genialidade da criação de Deus. “Veja como cabe graciosamente na mão humana. O criador da banana, Deus, ó todo poderoso, a fez com uma superfície que não escorrega”, declara o religioso. Comfort prossegue em seu sermão por diversos minutos, sem perceber a possibilidade de dupla interpretação (clique aqui para ver).

O fato é que o modelo deu tão certo que, no ano passado, o Tangle recebeu um aporte de US$ 17 milhões da GLG Partners, empresa de participações com sede em Londres.
(Referência: Valor Econômico)

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