9 de jul de 2012

As cores, as flores e os passarinhos

(Replico aqui um post que fiz originalmente para o Follow the Colours, publicado na semana passada)

Dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam como se vêem, como vêem os outros e como percebem o mundo. Se você ainda não assistiu, não perca mais tempo e clique nesse link para conferir na íntegra o doc ‘Janela da Alma’, de João Jardim e Walter Carvalho.


Nele, Hermeto Pascoal nos conta como criou recursos sensoriais próprios. Confessa que quando tinha 30 anos, chegou a querer ser cego temporariamente, para que assim pudesse melhor desenvolver sua percepção musical. O músico diz que a visão não se dá fisicamente, com os olhos. Ao contrário, a visão verdadeira seria a visão interior. Diz mais, diz que possui, na verdade, um terceiro ouvido localizado na nuca. Pois é, Hermeto ouve música pela nuca! O cineasta Wim Wenders, por sua vez, nos ensina como os óculos podem ser a moldura do mundo, e como o cinema convida to dream yourself into the movie. Já o filósofo esloveno Evgen Bavcar, que se tornou cego após dois acidentes de guerra, mostra como tira ótimas fotografias apesar de sua deficiência. “É preciso crer para ver”. E, claro, não poderia faltar o depoimento do escritor português José Saramago, autor de Ensaio sobre a Cegueira: “… Se Romeu tivesse os olhos de falcão, provavelmente não se interessaria por Julieta, já que ele enxergaria muito mais defeitos do que o olho humano é capaz de fazê-lo…”

Esse doc foi a primeira coisa que veio a minha cabeça quando me deparei com o dilema de Diego, um menino cego que precisa fazer uma redação sobre flores e cores. Esse é o mote de um maravilhoso vídeo institucional da Organización Nacional de Ciegos de Espanã (ONCE). Esbarrei com esse trabalho outro dia numa dessas andanças pela web e, ao ser convidado pela Carol para esse post, não tive dúvidas:  ‘tem tudo a ver com o Follow the Colours!’



Siga as cores. Mas siga as cores não apenas com os olhos, mas sim com todo os seus sentidos. “… Porque há um passarinho para que cada flor tenha a sua cor”

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