23 de jun de 2009

Newsgames - Veículos do mundo todo estão cada vez mais atentos a esse novo formato de comunicação digital


Salvar o mundo de terroristas, lançar tortas na cara de personalidades ou fazer o jogador Ronaldo, o 'Fenômeno', correr até perder peso. Esses são alguns exemplos de acontecimentos do cotidiano que viraram jogos para computador, os conhecidos newsgames ('jogos-notícias'). Entre os mais recentes estão o 'Shoes at Bush', em que o jogador deve tentar acertar o ex-presidente americano, como ocorreu no famoso episódio com o jornalista iraquiano.


O 'Rihana's Revenge', outro jogo recente, permite esmurrar o ex-namorado da cantora, Chris Brown, acusado de tê-la agredido. E o brasileiríssimo 'Padre Voador' continua sendo bastante procurado. Nesse newsgame, o jogador deve eliminar obstáculos para que o religioso plane sossegadamente com seus balões.


De política a celebridades, os newsgames se popularizaram por toda web, basta existir uma notícia de relevância para virar animação. Um dos maiores projetos desenvolvidos na área é o Croopier, uma plataforma de jogos online que tem como fonte de inspiração notícias de interesse social. Semanalmente novos jogos são publicados sobre paraísos fiscais, eleições políticas, guerras e o dia-a-dia das celebridades. O projeto é administrado por designers americanos e representa um importante trabalho de pesquisa sobre comunicação e novos formatos narrativos.
Ao que tudo indica, não se trata de uma simples ferramenta de entretenimento, mas de uma mudança na comunicação digital. A taxa de retenção de informação em um newsgame, segundo Howard Finberg, um dos diretores do Poynter, um dos principais sites sobre jornalismo online do mundo, é de 70 a 80%, enquanto em um meio com texto e algum elemento multimídia – áudio ou vídeo – é de apenas 50%. O que está em jogo, portanto, é uma nova forma de produção e circulação de notícias.


Esse conceito de 'newsgame' surgiu em 2003 nos Estados Unidos, quando portais de notícias começavam a experimentar novos formatos de informação, e vem se disseminando sobretudo nos períodos eleitorais, como aconteceu no ano passado. Foi quando a MSNBC lançou o Race to Whitehouse, onde dois animais – um elefante [republicanos] e um burro [democratas] – tentavam chegar à Casa Branca e no meio do caminho iam arrecadando dinheiro. Foi também quando a CNN colocou no ar o Presidential Pong, onde o internauta jogava tênis com os pré-candidatos à presidência dos EUA. E, finalmente, quando o USA Today lançou o Candidate Match Game, um jogo que ajudava os eleitores indecisos a escolher o seu pré-candidato às eleições.


O Brasil já tem uma produção diversificada de animações interativas. O primeiro newsgame brasileiro foi 'Nanopops Políticos', em que o jogador deve acertar o nome do personagem político por meio da imagem. Em 2008, o portal mineiro UAI, por sua vez, lançou um jogo em que o internauta dava sua opinião sobre as características dos candidatos à prefeito, relacionando temas de interesse do município - no fim do jogo, o eleitor verificava qual político tinha o pensamento mais próximo com o dele.


O Estadão marcou um verdadeiro gol de placa ao lançar, há poucos dias, o Desafio de Craques, um dos newsgames mais interessantes e produzidos hoje na web brasileira. Desafio de Craques nada mais é do que um Super Trunfo de atuais ou antigos ídolos do futebol nacional. Ao todo, são 48 cartas, mostrando o desempenho de jogadores durante a história Campeonato Brasileiro, que oficialmente começou em 1971.


Entre as produtoras pioneiras na área destacam-se a Persuasive Games, a Serious Games e a Newsgaming.

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