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13 de ago. de 2013

SelvaSP resgata a arte da flanagem

Segundo João do Rio, no seu livro A alma encantadora das ruas: “Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e contar; ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite; meter-se nas rodas da populacha, admirar o menino da gaitinha ali à esquina, seguir com os garotos o lutador do Cassino vestido de turco, gozar nas praças os ajuntamentos defronte das lanternas mágicas, conversar com os cantores de modinha da Saúde depois de ter ouvido, diletante de casaca, aplaudirem o maior tenor do lírico numa ópera velha e má; é ver os bonecos pintados a giz nos muros das casas, após ter acompanhado um pintor afamado até sua grande tela paga pelo Estado; é estar sem fazer nada e achar absolutamente necessário ir até um sítio lôbrego, para deixar de lá ir, levado pela primeira impressão, por um dito que faz sorrir, um perfil que interessa, um par jovem cujo riso de amor causa inveja".




A flanagem, pois, está mais do que reestabelecida na ordem do dia com o genial SelvaSP, grupo de fotógrafos criado em 2012, que acaba de inaugurar uma exposição no Alberta #3, que pode ser visitada até 25 de setembro, de terça a sábado, a partir das 19h.









16 de abr. de 2013

Que tipo de casa imagina para si um homem que viveu em uma cela de 6x9 por mais de 40 anos?


O cara da foto aí em cima se chama Herman Wallace e ele é muito provavelmente o prisioneiro mais antigo em confinamento solitário nos Estados Unidos hoje. Ele já passou mais de 40 anos em uma cela de 6x9 em Louisiana, num presídio que se chama Angola. Preso em 1967 por um roubo em que ele admite culpa, ele acabou sendo condenado a prisão perpétua, ao lado de Robert King e Albert Woodfox, pelo assassinato de um guarda em um julgamento bastante controverso no episódio conhecido como Angola 3. Ele nega veementemente ter cometido o crime até hoje. Mesmo preso, Wallace foi um dos principais responsáveis pelo surgimento do movimento dos Panteras Negras na década de 70.



Comovida pelo drama de Herman, a então estudante de arte Jackie Sumell entrou em contato com ele por meio de uma carta com uma questão bastante provocativa: "Que tipo de casa imagina para si um homem que viveu em uma cela de 6x9 por mais de quatro décadas?" 

Uma série de cartas e alguns telefonemas foram trocados por anos para dar os subsídios necessários para que Jackie, ao lado do editor Ricardo Acosta e do animador Nicolas Brault, criassem o doc Herman's House, sem nunca terem encontrado pessoalmente o prisioneiro.


 "Alguém uma vez me disse que a chave para um bom documentário é o acesso. No entanto, de alguma maneira, eu me vi fazendo um filme em que eu não tinha acesso ao meu tema principal, Herman Wallace, ou minha locação principal, sua cela na prisão. No início desse esforço não convencional, percebi que toda a ideia de "acesso" foi crucial para dar verossimilhança à história de um homem que passou mais de quatro décadas em confinamento solitário. Sem acesso a Herman, eu optei por criar uma experiência de visualização que promove uma verdadeira imersão do público no que seria a vida  em uma solitária e, paralelamente, vislumbrar as perspectivas de uma pessoa nesse estado a respeito do que seria sua vida aqui do lado de fora depois de tantos anos".

O tragico enredo virou objetivo de vida para Jackie que se mobilizou  para transformar em realidade a 'casa dos sonhos' de Herman, enquanto ele aguarda o julgamento da sua última apelação à Corte de Louisiana.

A estréia do filme está prevista para 19 de abril em Nova York. Abaixo o trailer, cuja declaração de Herman Wallace no trecho final corta como uma navalha na carne: "Não importa se um dia eu vá morar nessa casa. O que importa é o que essa casa representa" 

12 de mar. de 2013

As ilustras corrosivas de Dran

Artista de rua desde 1997, Dran não economiza agressividade ao ilustrar todo o seu descontentamento com o mundo moderno.


O artista  já ganhou até o apelido de “Banksy francês” por conta do seu sarcasmo na criação de ilustrações pra lá de corrosivas sobre importantes questões sociais, tais como desigualdade, desperdício e consumo excessivo.














25 de out. de 2012

Seu mundo é uma bolha ou um tanque de guerra?

Como ver o mundo se os espaços de convivência e socialização estão cada vez mais restritos e limitados? Talvez a alternativa seja nos alojarmos em uma espécie de bolha ou, quem sabe, em um tanque de guerra.


Esse é o pressuposto que norteia a obra do artista japonês Masakatsu Sashie, que explora o que seria um pós-apocalipse em suas pinturas.  



As tais bolhas gigantes ou aquários adornados por logotipos e objetos icônicos do universo cultural japonês parecem levitar, enquanto tanques de guerra carregados de fragmentos de vending machines, placas de fast food e personagens de video game avançam sobre o que pode ter 'sobrevivido a tudo'...





Aterrador, não?!  

1 de out. de 2012

"Foi tanto esperar neste país que muito tempo foi perdido..."

"Mineiros estão esperando por justiça. Trabalhadores estão à espera de um salário mínimo. As pessoas estão à espera de prestação de serviços. Refugiados estão à espera de assistência. Homens estão à espera de empregos. Estamos todos à espera de um político honesto. Muitos estão esperando que os outros façam as coisas primeiro. Talvez, para assumirem a culpa. Talvez para que simplesmente façam as coisas por eles...
Foi tanto esperar neste país que muito tempo foi perdido".



 O país em questão é a África do Sul - mas bem que poderia ser o Brasil - e a autora destas sábias palavras é a grafiteira conhecida como Faith47, que terá sua exposição 'Fragments of a burnt history' exibida na David Krut Gallery em Johannesburg, em novembro. 









(via Wooster Collective)

10 de set. de 2012

Marcos López: nosso Andy Warhol tresnoitado, na ressaca de tequila de segunda

Convidado para o Festival Internacional de Fotografia ,que acontece no final deste mês em Paraty, o argentino Marcos López é daqueles fotógrafos com marca registrada. Quem já viu uma de suas obras reconhece seu estilo.


Conhecido como o 'David LaChapelle latino', à semelhança do americano, López monta, para cada fotografia, um verdadeiro set de filmagem, ou seja, luz artificial, modelos, produção e, certamente, um roteiro muito bem definido.


Suas fotografias são carregadas de referências culturais argentinas, humor e ironia, personagens com estereótipos latino-americanos, com um sarcasmo inteligente e provocador. Em entrevista concedida ao Estúdio Madalena ano passado, ele não economizou em provocações: "Para fazer fotografia latino-americana, não é necessário ir a Cuzco, Machu Picchu, nem às pirâmides astecas, ou ter a foto do Condor-dos -Andes. Nas fotos me interessa a identidade visual, a textura que quero referenciar".


Tem mais: “Decidi falar das minhas dores, dos meus mortos e das minhas penas, como um Andy Warhol tresnoitado, na ressaca de tequila de segunda. Além disso, interessa--me reivindicar a nossa selvagem América, o nosso modo de pensar e de nos expressarmos esteticamente com uma personalidade pela qual não temos de pedir autorização a ninguém”