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1 de set. de 2011

O cacique, o Google, a Fast Company... e nós de fundo

Eita, admirável mundo novo! A Fast Company publicou em sua lista das 100 pessoas mais criativas em negócios uma fotografia bastante inusitada: o Cacique Almir Narayamoga da tribo Suruí do Amazonas posando com um MacBook Air em mãos. Anacrônico? Curioso? Inesperado? Tudo isso e mais um pouco? Pode crer que sim!


A causa para esse encontro de culturas está no Google: em parceria com a gigante de buscas desde 2007, a tribo Suruí conta com apoio para registrar seu mapa cultural com vídeos dos anciãos no YouTube e suas fronteiras geográficas com smartphones dotados de GPS. Além disso, os índios usam smartphones para registrar ocorrências de desmatamento ilegal e também enviar imagens para povoar o Google Earth. 


Com quase três vezes o tamanho da cidade de Nova York, o triângulo de floresta que dá  lar aos 1.300 membros da tribo Suruí é chamado de Terra Indígena Sete de Setembro, o dia em que o mundo do homem branco chegou ao dos suruís: 7 de setembro de 1969. Esse primeiro contato provou ser devastador, reduzindo a população de 5 mil para apenas 250 devido à combinação de fome, civilização e, acima de tudo, sarampo.


Quarenta e dois anos depois, o cacique Almir, que se formou em biologia em Goiânia - superando o preconceito dos demais estudantes que o ignoravam porque ele não falava, parecia ou comia como eles -  acredita que seu povo precisa da modernidade para ajudá-los a manter seu modo de vida tradicional, que esta é a única forma de salvarem sua floresta, sua cultura e sua tribo. 

Seu grande projeto de vida no momento é plantar um milhão de novas mudas de árvores nas zonas devastadas da floresta no prazo de dez anos. Em parceria com o Amazon Conservancy e o Google Earth Outreach, a tribo do Cacique Almir tem a possibilidade de arrecadar 160 milhões de dólares em créditos de carbono - os possíveis compradores desses “créditos” são empresas dispostas a negociar voluntariamente as emissões, assim como bancos de investimento, corretoras e até mesmo governos. Não há dúvida que seria uma conquista preciosa para a preservação do meio ambiente e da cultura indigena.

O vídeo abaixo apresenta em detalhes essa incrível história:

11 de ago. de 2010

Indiana Jones 2.0

O explorador britânico Ed Stafford, 34 anos, acaba de completar uma das maiores aventuras de que se tem notícia na Idade Moderna.


Stafford, filho de advogados e um ex-capitão do Exército Britânico, com passagem pela missão da ONU no Afeganistão, começou no dia 2 de abril de 2008 um projeto considerado impossível por muitos: caminhar ao longo de toda a extensão do Rio Amazonas, partindo da nascente, no Peru, e terminando na foz, no Brasil, mais precisamente no Estado do Pará.


Nesta última segunda-feira, 9 de agosto, Stafford completou a travessia. Foram 9.500 quilômetros percorridos em 859 dias com um rotina extenuante: acordar todos os dias antes do nascer do sol e começar a caminhada ainda no escuro. Andar cerca de 8 a 10 horas ininterruptas por dia, considerando que cada passo na densa florestaa foi conquistado através de facão e machado, razão pela qual, em um dia bom, o explorador conseguia cobrir uma distância de 7 quilômetros, no máximo. No vídeo abaixo, ele se barbeia e almoça piranhas em um breve intervalo:



Ao longo de todo o trajeto, que custou cerca de 70 mil libras, arrecadadas junto a patrocinadores angariados por sua família, Stafford contou a experiência no blog Walking the Amazon, atualizado através de um latpop e de uma conexão de internet via satélite, e também por meio de posts em seu perfil no Twitter.


Seu primeiro parceiro abandonou a expedição após três meses. Depois disso, o britânico passou a contar com a população local e com um novo guia, o peruano Gadiel “Cho” Sanchez Rivera, que seguiu até o final do percurso.


Entre outras histórias, ele conta que se deparou em média com quatro cobras venenosas por dia, foi picado por vespas pelo menos uma vez por semana, ameaçado por indígenas Ashaninka e depois escoltado por eles para fora de sua terra e até acusado de assassinato e de roubo de órgãos no Peru. No vídeo abaixo, ele se depara com uma anaconda:



Observem abaixo um trecho de uma reportagem publicada no jornal britânico Daily Mail na qual um repórter conta como foi acompanhá-lo durante três dias:
“No meu tempo com ele eu quase fui arrastado por uma corredeira violenta, peguei uma alergia por todo o corpo que fez parecer com que eu tivesse sido grelhado, tive um par de sapatos desintegrado nos meus pés, escapei por pouco de ser mordido por uma cobra, por menos ainda evitei sentar em um sapo-boi azul, fiquei perdido, fui acusados por locais desconfiados de tentar roubar olhos de crianças e, sim, fui feito refém por cerca de 20 habitantes de um vilarejo com suas espingardas.Também cheguei no ponto de exaustão física e meu joelho esquerdo nunca mais foi o mesmo desde então. Quanto tempo eu fiquei com Ed na floresta? Três dias. E essa foi a parte fácil.”
Segundo  Stafford, a intenção da aventura foi 'chamar a atenção do mundo para a causa amazônica' e, de quebra, arrecadar fundos para instituições que lutam em prol da preservação do meio ambiente.


Horas antes de concluir o trajeto, ele desmaiou ao lado da estrada, com o corpo recoberto de erupções. "Eu me sinto ligeiramente humilhado pelo fato de meu corpo ter decidido entrar em pane quando faltava tão pouco para a linha de chegada", escreveu ele em seu blog.

Confira abaixo o último vídeo postado por ele em sua página no Vimeo:



(Referência: Papo de Homem)