Mostrando postagens com marcador Índia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Índia. Mostrar todas as postagens

4 de fev. de 2013

Um dia - e tanto - de gastronomia indiana

The Perennial Plate  é a aventura de um cozinheiro e de um câmera, que percorrem o mundo para falar com você a respeito de uma alimentação socialmente responsável.



O blog do ativista Daniel Klein  já contempla mais de cem mini-documentários filmados nos Estados Unidos, Japão, Vietnã e Índia, sempre com o foco na gastronomia durável e aventureira.



Confira abaixo o último episódio gravado na Índia - resultado de três semanas de filmagem:


20 de jun. de 2012

De skate nas ruas da Índia

Delhi, Agra e Jaipur são as três maiores cidades da Índia e compreendem a região chamada 'The Golden Triangle'. O grupo de skatistas francês conhecido pela alcunha de Mo’Fo’ acaba de concluir a filmagem de um curta em que percorre as ruas dessas três cidades, mostrando toda a sua beleza e singularidade. Abaixo, um belo aperitivo do que vem por aí!

22 de set. de 2011

Brand Irony

Produzida pelo genial Sharad Haksar para a agência publicitária 1pointsize, a série de fotografias Brand Irony alerta para o uso indiscriminado da publicidade pelas marcas de grandes multinacionais que, em um país pobre como a Índia, chega a ser insultuoso.


Trabalho pleno de criatividade, humor e ironia!  Parafraseando o grande Millor: "Em terra de olho, quem tem um cego... ops, errei!"






4 de mar. de 2010

A nota de zero rúpias

A associação Indiana 5th Pillar criou uma ação para protestar contra a corrupção na Índia (que também tem muitos “profissionais”, como aqui no Brasil) produzindo notas valendo zero rúpias (a moeda local).

Qualquer pessoa pode entrar no site, baixar a cédula e imprimir. A ideia é que com esse instrumento em mãos, a vítima não fique 'tão constrangida' negando a propina diretamente, e o corruptor, por sua vez, tome consciência de que a pessoa conhece e condena a prática.

(via Boing Boing)

8 de jul. de 2009

Sustentabilidade Fashion
Para chamar a nossa atenção sobre o consumismo desenfreado, e também provar que qualquer roupa pode ser reinventada com um pouco de criatividade (e os acessórios certos, claro), uma garota indiana criou o The Uniform Project.

O projeto consiste em provar que para se vestir bem o ano todo, não precisa ter um guarda-roupa abarrotado de vestidos e peças, basta ter apenas um vestido preto básico, acessórios e muita criatividade.


Durante um ano inteirinho a indiana vai usar o mesmo modelo de vestido preto. São 7 vestidos iguais, um para cada dia da semana e criar combinações usando apenas acessórios que preferencialmente vão ser vintage ou feitos artesanalmente.
O projeto de Sheena ainda tem uma causa nobre e arrecada fundos para a organização Akanksha que financia uniformes e outras despesas educacionais das escolas nas favelas da Índia.

13 de fev. de 2009

"Em um depósito de lixo fumegante localizado acima de um manguezal à beira da favela, homens agacham-se por todos os cantos, de tangas arregaçadas, e defecam à luz da manhã. Cachorros sarnentos se esquivam entre montes de entulho e lixo doméstico".



Esse é apenas um fragmento da descrição da viagem que o jornalista Victor Mallet do Financial Times fez à Dharavi, favela indiana de Mumbai, considerada a maior da Ásia. Ao contrário do que se possa imaginar, a reportagem não se propunha a fazer uma denúncia social ou algo do gênero, mas sim a divulgar um pacote turístico. Isso mesmo, Mallet fazia parte de um grupo que comprou o pacote da Reality Tours and Travel, uma empresa especializada naquilo que se convencionou chamar de turismo vivencial.

Segundo consta, o turismo vivencial começou nas favelas brasileiras há 17 anos, quando um jovem chamado Marcelo Armstrong levou alguns turistas para a Rocinha, então a maior favela da América Latina (hoje a Rocinha não é mais considerada uma favela, mas um bairro carioca). Sua empresa, a Favela Tour, cresceu e deu origem a uma dúzia de imitadores. Hoje, em qualquer dia no Rio, dezenas de turistas sobem em minivans e motos e se aventuram por lugares em que mesmo a polícia não tem coragem de pisar.



Fundada por Chris Way, um ex-contador britânico, a Reality Tours and Travel é pioneira em pacotes de turismo vivencial nas favelas de Mumbai. A empresa, que também já tem várias imitadoras, cobra um preço relativamente baixo pelo tour e destina 80% dos lucros para as comunidades carentes que visita. Dharavi pode ser equiparada em termos de prestígio nas opções de passeio dos mochileiros à nossa Rocinha. A favela tem 1 milhão de moradores que se espremem numa pequena área. Abriga ainda 10 mil pequenas empresas que chegam a faturar anualmente US$ 665 milhões.

Os números impressionam, assim como a miséria generalizada, que, a bem da verdade, é o grande ingrediente dos passeios. A visita, que dura cerca de três horas, custa o equivalente a R$ 19 a pé ou R$ 38 em veículo motorizado. Bem mais barato, diga-se de passagem, do que o passeio à Rocinha, que custa em média R$ 65,00 pelo mesmo tempo de percurso.



Segundo os empreendedores do mercado de turismo vivencial, por assim dizer, os passeios são super seguros, mas podem ser tensos. Ou até mais do que isso. Segundo denúncia da Folha de S.Paulo, publicada no ano passado, a agência de turismo Private Tours, ofereceria aos turistas interessados experiências nas favelas pra lá de extravagantes. Um jornalista, disfarçado de turista, teria participado de uma dessas visitas que incluiu uma ida às “bocas de fumo”, os famosos pontos de venda de droga das favelas. Segundo o repórter, os turistas percorrem as ruas estreitas do morro, fazem contato com os traficantes, que lhes contam historias sobre o tempo que passaram na prisão e descrevem o seu estilo de vida, além de posar para fotografias, com as caras tapadas e metralhadoras em punho.

A agência Jeep Tour, por sua vez, organiza um passeio pela Rocinha em um tanque de guerra, com guias vestidos ao estilo Indiana Jones (como retratado pelos personagens interpretados por Oscar Maroni e Leticia Spiller na novela global Duas Caras).


Fora do Brasil, a fome de realismo de alguns turistas não tem limites. No Parque Ecoalberto, no México, o turista pode participar de uma simulação de imigração ilegal aos Estados Unidos. A caminhada noturna de 4 horas atravessa desertos, morros e leitos de rios. O visitante acampa à noite, rasteja pelo chão, cruza pântanos e cachoeiras e tenta atravessar a fronteira de mentirinha. Tem guardas armados e tudo. Para deixar as coisas mais reais, foram contratados ex-atravessadores de imigrantes. A brincadeira custa US$ 18 por dia.

Mundo afora, turistas podem ainda, por exemplo, visitar os locais das matanças cometidas pelos khmeres vermelhos no Camboja, que deixaram dois milhões de mortos. Na Polônia, o campo de concentração de Auschwitz é a atração turística mais visitada do país... a lista é grande e, pelo que tudo indica, o apetite não tem fim.

5 de fev. de 2009

No editorial de uma recente edição do Meio & Mensagem, Regina Augusto revela um fato, no mínimo, intrigante da viagem que fez à Índia: "...Uma das coisas que mais chama a atenção nas ruas, tanto de Bombaim quanto de Nova Délhi, é que os meninos que ficam nos semáforos vendem livros, e não balas com coisas sem nenhum valor, como acontece nas grandes cidades brasileiras. E não são livros usados ou velhos, mas lançamentos e best sellers, como o novo volume de Thomas Friedman, Hot, Flat and Crowded, ainda inédito no Brasil, e Eat, Pray and Love, de Elisabeth Gilbert".

O ideal é que crianças não precisem vender nada na rua para sobreviver, mas penso que essa descrição vale por si só uma reflexão sobre o país que temos e o país que queremos.

Eis alguns números:

4,7 livros – é a média de leitura anual da população brasileira, incluindo a Bíblia e livros didáticos e técnicos, segundo pesquisa feita no ano passado com adolescentes e adultos pelo Instituto Pró-Livro
1,3 livro – é o número de obras que os brasileiros lêem por ano por vontade própria, sem ser obrigados por escolas ou universidades
1,1 livro – é o número de obras que as pessoas compram por ano
39% dos leitores brasileiros têm até 17 anos, ou seja, estão em idade escolar e lêem livros indicados pela escola; 14% têm entre 18 e 24 anos, idade compatível com ensino superior.


Apesar de tudo isso, uma iniciativa isolada que vem acontecendo há alguns anos na capital federal serve como alento. Luiz Amorim, garoto pobre, começou a trabalhar aos 12 anos, foi alfabetizado aos 16 e leu seu primeiro livro aos 18. Empregado de um açougue praticamente falido chamado Triângulo e Damasco, fez uma proposta e o arrematou no longínquo ano de 1994. Imediatamente mudou o nome do estabelecimento para T-Bone. Em meio à peças de fraldinha e picanha, Luiz abriu uma estante onde empilhou alguns livros que passariam a ser oferecidos gratuitamente para a leitura dos clientes, que depois os devolveriam. Começou com dez livros, hoje tem um acervo de 10 mil.

Inquieto, criou um projeto de noites culturais, cujo propósito era oferecer um espaço para que o público pudesse ter contato direto com escritores, músicos e artistas plásticos. As reuniões começaram modestas, agrupando cerca de 30 pessoas. Hoje, dez anos depois, contabilizam-se mais de 150 mil pessoas e mais de 500 artistas para participar desta celebração à arte na entrequadra 312/13 da Asa Norte. Artistas de renome nacional já se apresentaram no projeto, entre eles: Moraes Moreira, Chico César, Guilherme Arantes, Célia Porto, Tom Zé, João Donato, Geraldo Azevedo, Jorge Mautner, Belchior, Erasmo Carlos, e outros.

Luiz não parou por aí e estendeu a biblioteca para os pontos de ônibus da cidade. O novo projeto consiste em pequenas livrarias instaladas em 15 pontos estratégicos. A pessoa chega para esperar seu ônibus e aproveita para dar uma olhada nos livros. 'Gostou? Pode levar, mas tem que devolver'.

Pena, enfim, que a história de Luiz, um legítimo mosca branca, seja um caso isolado. Por ora, temos sim que nos contentar em vislumbrar espantados as pobres crianças distribuindo livros nas ruas indianas.